voto

Ser cristão significa “ser um pequeno Cristo”. Sermos pequenos Cristos é o que chamamos de “seguir a Cristo”. Entretanto, seguir a Cristo implica certas atitudes, motivações, sentimentos, ações e princípios.

Pode alguém que faça todas as coisas citadas pela lista abaixo chamar a si mesmo de “cristão”?  pode, infelizmente isso acontece sempre! Isso ocorre com tanta frequência que uma grande parte da sociedade possui uma imagem obscura e negativa do cristianismo e da cristandade.

A seguir veremos coisas que um cristão que realmente siga Jesus, jamais votaria a favor!

1- Leis anti-LGBT’s.

Pergunte a si mesmo: “A quem Jesus discriminou?”.

Enquanto pensa na resposta, tenha em mente que enquanto os fariseus encorajavam a discriminação de mulheres, cobradores de impostos, pobres e samaritanos (que eram odiados pelos judeus por serem impuros racialmente), Jesus escolheu incluir radicalmente a todos estes grupos. Cristo nunca disse “proíba gays de serem quem são” ou ” nunca permita que LGBT’s e pessoas de outras religiões tenham os mesmos direitos que os teus”. Pelo contrário, Cristo nos encorajou a amar nossos irmãos como nós amamos a nós mesmos. Ao vermos uma pessoa LGBT ou hétero, precisamos ver uma pessoa, que possui uma dignidade humana que merece ser respeitada. Num viés mais cristão, antes de vermos alguém como LGBT ou hétero, precisamos ver alguém como uma criatura de Deus, merecedora de amor, respeito, liberdade e dignidade.

Cristo agiu assim, agora cabe a nós seguirmos seus passos.

“Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todas  as pessoas, por meio de Cristo Jesus, que as salva.” (Romanos 3:24)

2- Leis anti-imigrantes.

O cristianismo possui uma herança judaica. Ambas as religiões possuem como patriarcas, Abraão e Sara.

Nossos antepassados espirituais foram guiados por Deus para levar tudo o que tinham e viajar. Moisés levou os hebreus do Egito para o deserto e depois para outras terras (onde já haviam habitantes). Até Jesus, Nosso Senhor, passou parte de sua infância como estrangeiro. Como está descrito em Êxodos, sabemos como é nos sentirmos forasteiros em terras estrangeiras. Nossa fé e ancestralidade espiritual surgiu como forasteira, mas se você ainda não acredita que “nos sentirmos estrangeiros em terra estrangeira” não faz parte da nossa história, pergunte aos índios, ou até mesmo aos nossos avós e bisavós que vieram de outros países para o Brasil, eles saberão te responder com toda certeza.

Na melhor das hipóteses, ser cristão e votar a favor de afastar imigrantes nos faz hipócritas; na pior das hipóteses nos torna traidores de nossos antepassados e de nosso Deus.

“Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. Por isso amareis o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito.” Deuteronômio 10.18-19

3-Politicas que vulnerabilizam os mais pobres à fome

Uma certa vez, um homem sábio chamado Gandhi disse que existem pessoas no mundo com tanta fome, que Deus não poderia aparecer para elas, exceto na forma de pão.

A fome é denunciada na bíblia pelos profetas e livros poéticos como algo grave para a sociedade. Uma sociedade atacada pela fome, terá problemas com a educação,produção e comportamento civil, todos fatores determinantes para uma sociedade bem sucedida. A pessoa que quer seguir a Cristo, precisa ter em mente que Jesus disse que quando alimentamos os mais necessitados, estamos alimentando a Deus.

Ai de vocês que gostam de banquetes, em que se deitam em sofás luxuosos e comem carne de ovelhas e de bezerros gordos! Vocês fazem músicas como fez o rei Davi e gostam de cantá-las com acompanhamento de harpasBebem vinho em taças enormes, usam os perfumes mais caros, mas não se importam com a desgraça do país.” (Amós 6:4-6)

4-Politicas que fazem opção pelos mais ricos ao invés dos mais pobres.

Políticos ou apenas eleitores,  que fazem opção pelos mais ricos dão um tapa na cara de Jesus, sua vida, seu ministério e seus ensinamentos. Amós, Isaías e outros profetas igualmente denunciavam o comportamento dos ricos que se esbanjavam em riqueza advindas de exploração, enquanto os pobres passavam por fome e nudez.

Em termos de cristianismo, é ruim quando permitimos que pobres sejam explorados por ricos. Entretanto, terrivelmente pior é a criação de leis que estimulam e protejam este comportamento. Isso fica claramente irônico, quando imprimimos “Deus seja louvado” em nosso dinheiro.

“Deus levanta a sua mão poderosa
e derrota os orgulhosos
com todos os planos deles.
Derruba dos seus tronos reis poderosos
e põe os humildes em altas posições.
Dá fartura aos que têm fome
e manda os ricos embora
com as mãos vazias.” (S. Lucas 1:51-53 – NTLH)

5- Estimular guerra, confrontos, ditaduras e torturas. 

Há algum motivo para Cristo ser chamado de “Príncipe da Paz”. Isso está ligado diretamente a sua natureza, ao seu ministério, aos seus ensinamentos e ao seu evangelho. Como refutação você poderia citar de forma descontextualizada a frase que fiz “Eu não vim para trazer paz, mas espada”, de forma que poderia justificar massacres, cruzadas, assassinatos e guerras em nome de Deus. É óbvio que este verso não gera nem uma faísca de luz diante dos 50 e outros versos onde Cristo fala sobre a paz e a pacificação, pelo contrário, Jesus crê que antes da paz haveríamos de enfrentar vários conflitos … processos transformadores exigem dor antes de trazer o progresso que buscamos.

Uma das maneiras de não amar o seu próximo (muito menos como a ti mesmo) é destruindo sua vida ou praticar tortura. Existe uma razão para as escrituras chamarem de “Deus é amor” e o nosso desafio como cristãos é viver como ele, e ser como ele (praticarmos o amor ao próximo). As guerras e os confrontos, com certeza fogem do conceito de irmandade universal, de amor, da paz e do Reino de Deus. Somos desafiados por Cristo a buscarmos o seu Reino e a sua Justiça. Se entendemos que no Reino de Deus não há fome, nem guerra, nem perseguição, nem preconceito, buscar seu Reino e justiça implica a buscar todas essas coisas.

No final o amor vence!

 

“Quão formosos são sobre os montes os pés dos que anunciam a paz.” (Isaías 52:7)

 

6- Limitar o acesso gratuito a saúde.

Como seguidores de Cristo, devemos seguir também seus passos (cf. 1° Pedro 2:21). Isso significa que devemos imita-lo o máximo possível que conseguirmos, sendo que Jesus nos diz que somos capazes de fazer obras maiores do que as que ele realizou na terra (João 14:12). Sabemos que o estado não consegue repetir os milagres de Jesus, mas a medicina moderna consegue chegar bem próximo das maravilhas que vemos nos evangelhos e erradicar doenças e epidemias. Há uma pesquisa norte-americana que diz que de 45000 pessoas que morrem nos EUA, 20000 morrem por falta de acesso a saúde.

Nós cristãos falamos muito sobre “salvar pessoas”. Muitas pessoas verdadeiramente seriam salvas no mundo através do acesso gratuito a saúde, principalmente aquelas sem condições financeiras.

7- Desvalorização da educação/limitar o acesso gratuito e de qualidade para todos.

Nós aprendemos em Provérbios, assim como em outros livros sapienciais, de que a sabedoria é algo que Deus se deleita noite e dia. A Sabedoria é por Deus tão valorizada, que alguns teólogos costumam interpretá-la, através dos livros sapienciais, como uma face feminina de Deus (Sophia). Segundo as escrituras, melhor é a Sabedoria do que o ouro (cf. Provérbios 8:11)

Em nossos dias, principalmente no Brasil, vemos como a educação pública sofre maus índices. Os professores, que são os ministradores do conhecimento e sabedoria  são desvalorizados e muitas vezes desrespeitados pelo governo. As escolas públicas do país possuem sérios problemas com infra-estrutura. Não se investe em educação o quanto é necessário e o rendimento ainda é baixo. Infelizmente se deliciar em sabedoria é algo que o nosso governo não faz mais. A educação é um fator importantíssimo para o desenvolvimento do país e o seu acesso deve ser destinado a todos (independente de sua nacionalidade, cor, gênero, ou classe social). Limitar o acesso a educação é privar alguns de um direito essencial para a vida em sociedade.

Para seguirmos a Jesus, devemos tornar a educação uma prioridade, afinal de contas ele era um Rabi (mestre).

8-Pena de morte 

Jesus Cristo morreu por pena de morte.

Jesus foi condenado a execução pois era visto como uma ameaça ao sistema religioso da época, um agitador que estava desestabilizando a ordem pública.

Jesus era inocente. Seu movimento carismático e profético irritava as autoridades conservadoras e fundamentalistas da época.Todos os anos pessoas inocentes morrem por execução realizada pelo estado. Não há nenhuma prova de que a punição extrema e desumana da pena de morte reduza ou combata a criminalidade. Outro fato importante é que a pena de morte é discriminatória, sendo aplicada desproporcionalmente contra pobres, minorias, alguns grupos étnicos e raciais, grupos religiosos e etc.

Deus sabe quando neste país os prisioneiros são massacrados sem compaixão.
Deus Altíssimo sabe quando são desrespeitados os direitos humanos,
que ele mesmo nos deu” (Lamentações 3:34-35)

 

9- Obrigar pessoas a seguirem seus princípios morais. 

Uma das coisas mais marcantes no evangelho de Cristo e seu ministério, foi sobre sua mansidão. Cristo respeitava a liberdade dos outros, pois uma das consequências do amor é a liberdade. Se há coerção não há amor, não há liberdade.

Se alguém ama outrem, aquele irá permitir que as pessoas andem com suas próprias pernas, façam suas decisões e pratiquem seu livre-arbítrio . Cristo era o “Príncipe da Paz” mas estava longe de ser um rei com governo físico e o mais importante é notar que Cristo não era um ditador. Impor sua religião pessoal, crenças ou princípios morais/religiosos sobre outras pessoas, não tem nada a ver com a maneira que Cristo praticou sua fé e seus ensinamentos. Se você impõe sua fé sobre outros, apoia a oração obrigatória do Pai Nosso em escolas e ambientes públicos,  apoia a imposição de regras morais sobre a vida de pessoas através do estado, você não é um Cristão.

 “Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.” (2 Coríntios 2:17)

10- Jair Bolsonaro.

Ver 1-9.

 

 

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