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Evangelho Social

Quando Jesus decidiu conhecer um terreiro de Umbanda.

umbanda

A última vez que Jesus havia sido criticado tão fortemente por visitar um local, era quando ele havia ido a Samaria, para pregar as boas novas. Os Samaritanos eram odiados pelo povo da lei, os judeus, que possuíam um preconceito racial em relação aos Samaritanos. Não muito diferente da outra vez,  Jesus estava decidido: estava disposto a receber maiores críticas, afim de transmitir seu amor, sua graça e sua luz.

Jesus decide viajar para muito longe, em busca de conhecer o que é mais demonizado por grupos dos quais dizem segui-lo no Brasil: a Umbanda (uma das únicas religiões verdadeiramente brasileiras).

-É inacreditável! diziam: – Como pode este homem ser chamado Filho de Deus e ao mesmo tempo andar ao lado de pecadores, ainda por cima com macumbeiros? Nada mudaria a decisão de Jesus, pois ele estava disposto a visitar aqueles pelos quais Deus também o havia enviado.

haviam muitas velas, imagens, decorações, símbolos misteriosos e tudo fazia parecer que em alguns poucos minutos ocorreria algum tipo de ritual exótico. Jesus passa pelo meio daquela multidão, fitando cada olhar com amor, desejando abraçar e dialogar com todos aqueles que lá estavam, mas ele estava lá para apenas uma missão…

No centro do terreiro havia uma grande estátua de Cristo. Nas paredes haviam muitas imagens de escravos, índios, mestres espirituais venerados pelos umbandistas junto com imagens de um Cristo que embora sejam diferentes do real, se referiam a mesma pessoa. Naquele dia Jesus escolheu passar despercebido entre aquelas pessoas …

Ninguém reconhecia aquele Cristo, ninguém o parou para adora-lo ou para fazer pedidos de curas, mas Jesus de tudo sabia, ele conhece os segredos mais profundos do coração e entendia a razão de toda aquela movimentação em torno daquele lugar.

Muitos ali estavam de branco, menos Jesus que  desta vez estava com uma roupa bem humilde e escurecida pela sujeira. Humilde na verdade era um exagero para defini-lo no momento; ele estava miserável, maltrapilho, fedido e de péssima aparência. Ele não estava nada parecido com o Cristo que a Grande Mídia apresenta nas Sextas-Feira da Paixão. Jesus parecia ter fugido da surra que levou dos soldados antes da crucificação e por engano teria parado no terreiro. Muitos dos que estavam ali, também estavam na mesma situação e por incrível que pareça, para os “macumbeiros” isso não era problema, pois era o objetivo receber essa gente carente e em situação de vulnerabilidade.

Especificamente neste dia não houve nenhum ritual exótico, a não ser aquele ritual de entrega de alimentos para as pessoas mais carentes, roupas para aquelas que estão maltrapilhas, esperança para aquelas que estão na escuridão … ritual que é tão exótico pelo fato de muitos religiosos terem esquecido dele já por algum tempo. Jesus escolheu visitar um terreiro de umbanda como no dia que falou com Maria Madalena depois de sua morte, de forma que ela não o reconhecesse, tanto que pensou que estava falando com um jardineiro. Jesus escolheu visitar um terreiro de umbanda, como no dia que falou com os discípulos no caminho de Emaús, de modo que ninguém percebeu que estava falando com o Salvador. Jesus decidiu vir de forma surpresa, de modo que ninguém soubesse de sua presença física.

Aquelas pessoas não sabiam que em meio a tantos moradores de rua, pobres e necessitados, estariam recebendo e cuidando de Jesus de Nazaré. Entretanto, faziam tudo com o mesmo amor que fariam se estivessem cuidando e ajudando o próprio Deus. Jesus viu naqueles corações, motivações sincera, sem esperança de trocas ou recompensas, mas com o objetivo de partilhar o amor e a caridade entre as pessoas. Cristo se retirou do local e o abençoou, com a certeza de que o Reino também estaria sendo sinalizado entre este grupo de religiosos tão perseguidos injustamente, mas que estão quase sempre associados à prática da caridade e do bem. Talvez eles não fossem cristãos por definição, mas naquele momento estavam servindo a Cristo. Que todas e todos nós estejamos preparados para o advento de Cristo, para recebermos seu espírito e para partilharmos seu amor.

Voltando para a Terra Santa, Jesus profere: ” Eu tive fome e vocês me deram de comer; tive sede e me deram de beber; era estrangeiro e me acolheram; estava nu e me vestiram; estava doente e me visitaram; estava na cadeia e vieram me ver. Então  lhe perguntaram: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos estrangeiro e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando te vimos doente o na cadeia, e fomos visitar-te? E, respondendo o Senhor lhe disse: Todas as vezes que vocês fizeram isso a um desses meus irmãos mais pequenininhos, foi a mim que o fizeram!” (Bíblia Sagrada-Evangelho Segundo a comunidade de Matheus cap.25:35-40)

Este texto é dedicado a todos os terreiros de umbanda e candomblé que além de serem casas religiosas são também casas de caridade, em especial para o Terreiro Vovó Benta, dirigido por Mãe Lilian de Iemanjá e que presta ações solidárias na comunidade e para as pessoas carentes na cidade de Curitiba. Que Deus os iluminem e os guardem sempre.

ORAÇÃO: Deus, nossa Mãe de Sabedoria e Pai de amor. Pedimos perdão por todas as vezes que fomos intolerantes para com as nossas irmãs e irmãos de outras religiões, especialmente com nossas irmãs e irmãos umbandistas. Sabemos que o evangelho é a boa-notícia de reconciliação da humanidade com Deus e consigo mesma, por meio de Jesus Cristo. Sabemos que muitas almas podem melhor serem levadas a amar a ti, que és invisível e incompreensível, se antes disso amarmos a nossos irmãos, a quem podemos ver. Pedimos perdão por todas as vezes que fomos intolerantes e não respeitamos, nem apreciamos as mais diversas formas de crença e de cultura. Perdoe-nos por todas as vezes que nos prendemos mais aos dogmas do que oferecendo nosso tempo para ajudar aos nossos irmãos mais necessitados. Que sua bondosa e salvadora Graça alcance a todas e todos que frequentam as casas/terreiros/centros de caridade de nossos irmãos umbandistas, que a verdadeira reconciliação em Cristo para todos os homens um dia seja verdade absoluta e que a humanidade seja redimida e agraciada pela sua Justiça e Paz em toda a Terra. Por Cristo Nosso Senhor. Amém

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A Espiritualidade de Taizé

Cantem ao Altíssimo uma nova canção, pois ele fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a salvação. O Senhor fez conhecida a sua salvação, e  aos olhos da humanidade manifestou sua justiça. Ele se lembrou de seu amor e fidelidade para com os filhos de Israel. Os confins de toda a terra viram a salvação do nosso Deus. Terra inteira, aclame ao Senhor, grite de alegria, alegrem-se e cantem louvores (…) Batam palmas os rios, e as montanhas juntas aclamem de alegria, diante do Senhor, pois ele vem para governar a terra. Ele julgara o mundo com justiça, e os povos com retidão. (Salmo 98: 1-4; 8-9) 

Sobre a Comunidade de Taizé

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A Comunidade de Taizé é uma ordem monástica ecumênica da frança, composta por mais de cem homens provenientes de várias tradições religiosas, entre elas, católica romana e protestantes. Foi fundada em 1940, pelo Irmão Roger, um pastor protestante reformado suíço. Movida pela adoração contemplativa, pela simplicidade e pelo espírito ecumênico da reconciliação, a Comunidade de Taizé se tornou um dos principais locais de peregrinação cristã no mundo. A comunidade recebe em média 100 mil  jovens de todo o mundo para a prática da oração, estudo bíblico, fraternidade e trabalho comunitário.

Penso que, desde a minha juventude, nunca perdi a intuição de que uma vida em comunidade pode ser um sinal de que Deus é amor; só amor. Pouco a pouco crescia em mim a convicção de que era essencial criar uma comunidade de homens decididos a dar toda a sua vida, e que procurassem sempre compreender-se mutuamente e reconciliar-se: uma comunidade onde a bondade do coração e a simplicidade estivessem no centro de tudo. (Irmão Roger, Deus só pode amar, pág. 40)

Um pouco da história

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Tudo se inicia dentro do contexto da Segunda Guerra Mundial. O Irmão Roger deixa a Suíça, para viver na França, país muito afetado pela guerra. A razão pelo Irmão Roger ter deixado a Suíça, foi pelo fato de que tinha certeza de seu chamado para auxiliar aqueles que passavam pelos duros tormentos ocasionados pela guerra. A França derrotada seria uma oportunidade para serem aplicados os princípios do evangelho: amar e ajudar os nosso irmãos, sobretudo os que estão em sofrimento, necessitando de auxílio e refúgio.

Em Setembro de 1940, Roger compra uma casa abandonada em Taizé, que viria a ser a Comunidade de Taizé. Este local simples e com poucos recursos, se tornou um porto seguro para inúmeros refugiados da guerra que buscavam um abrigo. O irmão Roger costumava orar e cantar sozinho em um bosque, para não causar constrangimento aos refugiados agnósticos e judeus que eram acolhidos.

Após a libertação da França, outros homens entraram para a comunidade, alguns deles católicos romanos, anglicanos, luteranos e evangélicos; não se fazia distinção alguma entre pessoas e suas respectivas tradições religiosas.  O comprometimento destes homens eram sinalizar a presença de Cristo na Terra, vivendo em comunidade com os princípios da simplicidade e da reconciliação.

A “Espiritualidade de Taizé” como uma proposta de adoração ecumênica

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Celebração de Taizé na Catedral de São Tiago, Curitiba, Paraná.  (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)

“Oro não apenas por eles, mas também por todos os que crerão em mim, por causa deles e do testemunho deles a meu respeito. O alvo para todos eles é tornar-se um só coração e uma única mente – Assim como tu, ó Pai, és em mim e eu em ti. Para que possam ser um só coração e uma única mente conosco. Então, o mundo poderá crer que tu, de fato, me enviaste: A mesma glória que me deste eu dei a eles. Para que eles estejam unidos como nós estamos – Eu neles e eles em mim. Assim, eles amadurecerão nessa unidade e darão evidência ao mundo mal de que tu me enviaste e os amaste do mesmo modo que amaste a mim” ( João 17: 20-23 – A Mensagem) 

“Pois Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não levando em conta as transgressões dos seres humanos, e nos encarregou da mensagem da reconciliação”  (2° Coríntios 5:19)

“E por intermédio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue vertido na cruz.” (Aos Colossenses 1:20)

No primeiro momento, as primeiras coisas que são notadas numa “adoração de Taizé” seriam os cânticos/mantras meditativos e o modo de ser cantado, velas, ambiente silencioso e reverente, os ícones religiosos e a preparação do local de oração. Por trás  de todos estes distintivos litúrgicos que envolvem a forma de adoração de Taizé, existem princípios mais profundos que fundamentam a espiritualidade de Taizé.

A história desta comunidade, nos revela que uma espiritualidade viva, nos impulsiona aos caminhos da reconciliação, caridade, solidariedade e justiça (Tiago 1:27). Cremos que Deus, na pessoa de Jesus Cristo, estava reconciliando a humanidade inteira à Deus. Por consequência disso, o caminho de Cristo  é o caminho pelos quais todos os homens e mulheres  são chamados para serem reconciliados à Deus e uns com os outros. O mistério da reconciliação foi deixado por Cristo aos seus seguidores, para que fossemos um, como ele e o pai são um. Isso significa que os fatores que separam os cristãos, e também toda a humanidade, não fazem parte da mensagem do evangelho de Cristo.

Quando um grupo de pessoas, de diferentes confissões religiosas, se reúnem pela adoração comunitária, pela prática da solidariedade e  a defesa da justiça, significa que este grupo passou a entender que o evangelho de Cristo é muito mais que as barreiras das instituições religiosas. O ecumenismo parte do entendimento de que a unidade que Cristo pede aos seus seguidores, está acima das imperfeições humanas e institucionais, e que a fé cristã exige práticas que confrontam sentimentos egoístas e de omissão ante ao sofrimento humano. A “Espiritualidade de Taizé” portanto está além do que a aparência litúrgica revela, e não há como se praticar uma adoração inspirada nessa espiritualidade se não houverem os princípios da caridade e do ecumenismo. O Irmão Roger nos deixou um grande legado para toda cristandade, agradecemos a Deus pelo seu testemunho.

 

Oração

Querido Pai Universal, dá-nos uma espiritualidade semelhante a dos irmãos de Taizé, para que tenhamos forças para levar o evangelho da reconciliação, da unidade, da justiça e a paz para toda a humanidade. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amem

Bibliografia

Bíblia Sagrada.

http://www.taize.fr/en_rubrique2602.html  acesso em <03/09/2016>

Credo subversivo

 

cristo negro
Creio em Deus Pai, Mãe, fonte de amor e justiça;
e em seu único filho, bastardo, de rua, violentada, abandonado,
o qual foi concebido pelo dom da vida, sem diferença alguma,
nasceu das virgens Marias, Joanas, Terezas, Lucianas,
padeceu sob o poder da exploração sexual, trabalho escravo, narcotráfico, violência doméstica e das estruturas injustas da sociedade,
foi explorado, aliciado, crucificado, assassinado, morto e sepultado,
desceu ao Hades/sarjeta,
Ressuscitou nos dias de lutas e nas vozes dos que não se calam,
subiu ao Céu e está sentados à mão direita de Deus Pai Universal
donde há de vir e julgar os vivos e os poderosos.
Creio no Espirito de Amor e Justiça,
na falência e queda da Santa Igreja Universal do Reino dos Empresários e comerciantes da fé,
na Comunhão das pessoas na luta pela igualdade,
na remissão de nossos pecados e omissões,
na restauração da humanidade
e no estabelecimento do seu Reino de Justiça, esperança, igualdade e paz eterna. Amém.

Resposta ao blog “Bereianos”

 

Confesso que me senti extremamente honrado em ter recebido a crítica do blog apologético “Bereianos”. Já fui leitor do blog e acredito que vocês possuem muito conhecimento para compartilharem.

Primeiramente gostaria de dizer que enquanto eu escrevi o texto “Dez coisas que você jamais poderia votar a favor enquanto segue a Jesus.” jamais tive o objetivo de formar um artigo bem estruturado e bem escrito, até porque não estava com o tempo necessário para isso. Escrevi com o objetivo de publicar um texto opinativo, simples, objetivo e sem entrar muito em questões teológicas. O texto obteve uma grande popularidade, a qual eu não esperava. Obteve críticas negativas e positivas de todos os lados e críticas construtivas e bem argumentadas são bem recebidas desde que haja respeito mútuo pelas tradições religiosas e pessoa humana.

Li o texto que vocês escreveram e posso dizer-vos que é um ótimo artigo mas que também desaprovo os adjetivos ofensivos que vocês utilizaram para me definir, por exemplo, como “canalha”, “energúmeno” e outros. Mas se essa é a melhor forma que vocês utilizam para transparecer a imagem de Cristo em vossas vidas, não posso eu esperar nada mais do que isso.

  • -Definição de Evangelho Social.

A definição que vocês dão para o movimento”Evangelho Social” é superficial, tendencioso e mentiroso. Ao contrário do que vocês disseram, nosso movimento não encara a missão da igreja como “realizar ações sociais” e sim buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça (Mateus 6:33), portanto clamamos como é dito na oração que Nosso Senhor nos ensinou “Venha teu Reino…” (Mateus 6:10). Acreditamos que nós como cristãos, temos a missão de buscarmos a instauração progressiva, ativa e contínua do Reino de Deus na Terra.“Nós não somos só intérpretes do futuro, mas já os colaboradores do futuro, cuja força, na esperança como na realização, é Deus”(MONDIN, 1980, p. 196). Esperarmos a volta do Senhor como os crentes de Tessalônica, é não viver o evangelho de forma completa, pois somos embaixadores a serviço do evangelho (Aos Efésios 6:20).

Trabalhar para o estabelecimento do Reino de Deus e sua justiça na Terra, também significa trabalhar pelo estabelecimento de fatores e realidades que compreendem o Reino de Deus. O Reino de Deus não é suportado em um espaço em que haja discriminação racial entre as diversas e inúmeras criaturas de Deus. O Reino de Deus não é suportado em locais que mulheres apanham de seus maridos e são encaradas como seres “inferiores” a homens, sendo que em Cristo não há diferença entre homens e mulheres (Aos Gálatas 3:28). O Reino de Deus não é suportado em locais em que hajam grande desigualdade social, numa sociedade em que uma minoria goza de altos privilégios, desperdiça comida, vive em luxo encima de uma maioria pobre que não tem o que comer (Amós 6:4-6). O Reino de Deus não é estabelecido onde há guerra, onde há fome, onde há pobreza, onde há violência, onde há crianças e pessoas adultas sendo escravizadas, onde há discriminação de qualquer natureza que seja, onde o “amar ao próximo como a ti mesmo” não é manifesto. O movimento do “evangelho social” não é limitar a missão da igreja em “realizar ações sociais” e sim lutar subversivamente contra o sistema de coisas (mundo) que alimenta todas as realidades que são contrárias ao Reino de Deus.Entendemos também que a simples realização de “ações sociais” não subvertem o sistema, mas sim também a voz profética e ativa da igreja na sociedade que denunciam as injustiças sociais e as estruturas injustas da sociedade e que convida toda a humanidade para a reconciliação dos homens com Deus e com seus irmãos. (2° Carta aos Coríntios 5:18-19)

Nos acreditamos no verdadeiro jejum que é repartir a comida com os famintos, receber os desabrigados, dar roupa para os que não tem, socorrer os necessitados e oprimidos e lutar contra todo o tipo de exploração  e violência (Isaías 58:6-9). Portanto, a realização de ações sociais é uma das coisas que acreditamos ser a missão do cristão engajado. Acreditamos que trabalhar pelo estabelecimento do Reino de Deus compreende lutar contra as desigualdades, prática do evangelismo, viver o evangelho em nossas vidas, amar a Deus e amar ao próximo e promover a subversão desse sistema diabólico, excludente, assassino e individualista sem qualquer semelhança com a natureza do reino. Diferente do que vocês falaram, minha igreja não virou uma ONG, nem mesmo está quase virando uma … mas prefiro que digam que nossas igrejas estejam virando ONGs do que ouvir que estamos virando vendilhões do evangelho que roubam dos mais pobres em nome de um deus, ou até mesmo que somos um bando de fariseus.

  • Leis anti-LGBT’s

Primeiramente ao contrário do que vocês escreveram, o objetivo do texto não foi “tentar coadunar a posição cristã com as leis pró-LGBT” e sim mostrar que a posição cristã não condiz com a defesa de leis anti-LGBT’s. Leis anti-LGBT’s podem representar um imenso grupo de leis, desde leis que afirmem a pena de morte para LGBT’s até leis que proíbam o casamento entre pessoas de mesmo gênero. Defender direitos iguais a todas as pessoas independente de sua raça, cor, gênero, religião ou orientação sexual é antes de tudo ser justo e defender a justiça.

O que é comum entre conservadores é  a confusão que realizam quando discutimos leis e direitos de pessoas LGBT’s. Não conseguem fazer uma separação entre assuntos “homossexualidade ser pecado ou não” e “direitos de pessoas homossexuais”. Não entrei no mérito de discutir se uma pessoa homossexual peca ou não, pelo fato de viver sua sexualidade livremente como qualquer outra pessoa heterossexual. As escrituras nos dizem que “todos pecaram …” (Aos Romanos 3:23) portanto é irrelevante o fato LGBT’s estarem ou não em pecado, uma vez que o assunto é  “direitos iguais e justiça”.

  • Filiação divina

Pessoas assim não conhecem nem entendem;

andam vagando às escuras.

Eu disse: Vocês são divindades;

e todos vocês são filhos e filhas do Altíssimo. (Salmos 82:5-6)

Uma das críticas que recebi no texto foi por ter me referido aos LGBT’s como filhas e filhos de Deus . Entendo porém que há um significado teológico profundo na palavra “filho de Deus” embora no nosso dia-a-dia utilizamos a expressão de forma superficial para  toda a humanidade com uma família universal, ou seja o termo é geralmente utilizado para designar toda a criação de Deus. Segunda a teologia paulina, a  filiação divina entretanto, é obtida através da justificação pela fé na qual deixamos de sermos “escravos do pecado” para sermos “filhos e filhas de Deus” (Aos Romanos 8:14; Aos Gálatas 4:7)

Outros textos nas próprias escrituras fazem uma releitura diferente do que seria chamado de “filhos de Deus”. Um exemplo disso é  quando Jesus atribui o título de “filhos de Deus” para os pacificadores (Mateus 5:9) o que não tem muito a ver com a doutrina paulina da adoção. No Salmos 82: está escrito “Vocês são ignorantes,não entendem nada; Vocês vivem na escuridão.As bases da lei e da ordem na terra estão abaladas. Eu disse: ‘Vocês são deuses;todos vocês são filhos do Deus Altíssimo”. Neste caso, o Asafe chama pessoas perdidas, que andam na escuridão, ignorantes, que provavelmente são poderosos governantes de filhos e filhas de Deus. Se formos levar ao pé da letra o significado da expressão “filho de Deus” no sentido da doutrina da adoção, não é ao todo errado aplicar o termo para pessoas LGBT’s  já que “Não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus ( Aos Romanos 3:23)Todos nós, sejamos pessoas heterossexuais ou homossexuais, somos justificados tão-somente pela graça de Deus e pela fé que o Espírito Santo em nós opera. Antes de olharmos para alguém para julga-lo por sua raça, cor, religião, orientação sexual, identidade de gênero ou algum outro fator secundário, amemos como Jesus nos ordenou e olhemos para todos como criatura amada de Deus.

Continuarei o nosso diálogo se assim o puder.

“Quão formoso são, sobre os montes, os pés daqueles que anunciam a paz …” (Isaías 52:7)

Dez coisas que você jamais poderia votar a favor enquanto segue a Jesus.

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Ser cristão significa “ser um pequeno Cristo”, sermos pequenos Cristos é o que chamamos de “seguir a Cristo”. Entretanto, seguir a Cristo implica certas coisas, motivações, sentimentos, ações e princípios.

Pode alguém que faça todas as coisas citadas por esta lista, chamar a si mesmo de “cristão”?  pode, infelizmente isso acontece sempre. Isso ocorre com tanta frequência que uma grande parte da sociedade possui uma imagem obscura e negativa do cristianismo e da cristandade.

Você está seguindo a Jesus e sendo um cristão enquanto vota a favor destas coisas ? NÃO!

1- Leis anti-LGBT’s.

Pergunte a si mesmo: “Quem Jesus discriminou?”.

Enquanto pensa na resposta, tenha em mente que enquanto os fariseus encorajavam a discriminação de mulheres, cobradores de impostos, pobres e samaritanos (que eram odiados pelos judeus), Jesus escolheu incluir radicalmente a todos estes grupos. Cristo nunca disse “proíba gays de serem quem são” ou ” nunca permita que LGBT’s e pessoas de outras religiões tenham os mesmos direitos que os teus”. Pelo contrário, Cristo nos encorajou a amar nossos irmãos como nós amamos a nós mesmos. Ao vermos alguém, antes de ver um LGBT ou um hétero, precisamos ver uma pessoa, que possui uma dignidade humana que merece ser respeitada. Num viés mais cristão, antes de vermos alguém como LGBT ou hétero, precisamos ver alguém como uma filha ou um filho de Deus, merecedora de amor, respeito, liberdade e dignidade.

Cristo agiu assim, agora cabe a nós seguir seus passos.

2- Leis anti-imigrantes.

O cristianismo possui uma herança judaica. Ambas as religiões possuem como patriarcas, Abraão e Sara.

Nossos antepassados espirituais foram guiados por Deus para levar tudo o que tinham e viajar. Moisés levou os hebreus do Egito para o deserto e depois para outras terras (onde já haviam habitantes). Até Jesus, Nosso Senhor, passou parte de sua infância como estrangeiro. Como está descrito em Êxodos, sabemos como é se sentir forasteiro em terras estrangeiras. Nossa fé e ancestralidade espiritual surgiu como forasteira, mas se você ainda não acredita que “se sentir estrangeiro em terra estrangeira” não faz parte da nossa história, pergunte aos índios, eles saberão te responder com toda certeza. Na melhor das hipóteses, ser cristão e votar a favor de afastar imigrantes nos faz hipócritas; na pior das hipóteses nos torna traidores de nossos antepassados e de nosso Deus.

3-Politicas que vulnerabilizam os mais pobres à fome

Uma certa vez, um homem sábio chamado Gandhi disse que existem pessoas no mundo com tanta fome, que Deus não poderia aparecer para elas, exceto na forma de pão.

A fome é denunciada na bíblia pelos profetas e livros poéticos como algo grave para a sociedade. Uma sociedade atacada pela fome, terá problemas com a educação,produção e comportamento civil, todos fatores determinantes para uma sociedade bem sucedida. A pessoa que quer seguir a Cristo, precisa ter em mente que Jesus disse que quando alimentamos os mais necessitados, estamos alimentando a Deus.

4-Politicas que fazem opção pelos mais ricos ao invés dos mais pobres.

Políticos ou apenas eleitores,  que fazem opção pelos mais ricos dão um tapa na cara de Jesus, sua vida, seu ministério e seus ensinamentos. Amós, Isaías e outros profetas igualmente denunciavam o comportamento dos ricos que se esbanjavam em riqueza advindas de exploração, enquanto os pobres passavam por fome e nudez.

Em termos de cristianismo, é ruim quando permitimos que pobres sejam explorados por ricos. Entretanto, terrivelmente pior é a criação de leis que estimulam e protejam este comportamento. Isso fica claramente irônico, quando imprimimos “Deus seja louvado” em nosso dinheiro.

5- Estimular guerra, confrontos, ditaduras e torturas. 

Há algum motivo para Cristo ser chamado de “Príncipe da Paz”. Isso está ligado diretamente a sua natureza, ao seu ministério, aos seus ensinamentos e ao seu evangelho.Como refutação você poderia citar de forma descontextualizada a frase que fiz “Eu não vim para trazer paz, mas espada”, de forma que poderia justificar massacres, cruzadas, assassinatos e guerras em nome de Deus. É óbvio que este verso não gera nem uma faísca de luz diante dos 50 e outros versos onde Cristo fala sobre a paz e a pacificação.

Uma das maneiras de não amar o seu próximo (muito menos como a ti mesmo) é matando ele. Existe uma razão para as escrituras chamarem de “Deus é amor” e o nosso desafio como cristãos é viver como ele, e ser como ele (praticarmos o amor ao próximo). As guerras e os confrontos com certeza fogem do conceito de irmandade universal, de amor, da paz e do  Reino de Deus. Somos desafiados por Cristo a buscarmos o seu Reino e a sua Justiça, assim entendemos que se no Reino de Deus não há fome, nem guerra, nem perseguição, nem preconceito, buscar seu Reino e justiça implica a buscar todas essas coisas.

No final o amor vence!

6- Limitar o acesso gratuito a saúde.

Como seguidores de Cristo, devemos seguir também seus passos (cf. 1° Pedro 2:21). Isso significa que devemos imita-lo o máximo possível que conseguirmos, sendo que Jesus nos diz que somos capazes de fazer obras maiores do que as que ele realizou na terra (João 14:12). Sabemos que o estado não consegue repetir os milagres de Jesus, mas a medicina moderna consegue chegar bem próximo das maravilhas que vemos nos evangelhos e erradicar doenças e epidemias. Há uma pesquisa norte-americana que diz que de 45000 pessoas que morrem nos EUA, 20000 morrem por falta de acesso a saúde.

Nós cristãos falamos muito sobre “salvar pessoas”. Muitas pessoas verdadeiramente seriam salvas no mundo através do acesso gratuito a saúde, principalmente aquelas sem condições financeiras.

7- Desvalorização da educação/limitar o acesso gratuito e de qualidade para todos.

Nós aprendemos em Provérbios, assim como em outros livros sapienciais, de que a sabedoria é algo que Deus se deleita noite e dia. A Sabedoria é por Deus tão valorizada, que alguns teólogos costumam interpretá-la, através dos livros sapienciais, como uma face feminina de Deus (Sophia). Segundo as escrituras, melhor é a Sabedoria do que o ouro (cf. Provérbios 8:11)

Em nossos dias, principalmente no Brasil, vemos como a educação pública sofre maus índices. Os professores, que são os ministradores do conhecimento e sabedoria  são desvalorizados e muitas vezes desrespeitados pelo governo. As escolas públicas do país possuem sérios problemas com infra-estrutura. Não se investe em educação o quanto é necessário e o rendimento ainda é baixo. Infelizmente se deliciar em sabedoria é algo que o nosso governo não faz mais. A educação é um fator importantíssimo para o desenvolvimento do país e o seu acesso deve ser destinado a todos (independente de sua nacionalidade, cor, gênero, ou classe social). Limitar o acesso a educação é privar alguns de um direito essencial para a vida em sociedade.

Para seguirmos a Jesus, devemos tornar a educação uma prioridade, afinal de contas ele era um Rabi (professor).

8-Pena de morte 

Jesus Cristo morreu por pena de morte.

Jesus foi condenado a execução pois era visto como uma ameaça ao sistema religioso da época, um agitador que estava desestabilizando a ordem pública.

Jesus era inocente. Seu movimento carismático e profético irritava as autoridades conservadoras e fundamentalistas da época.Todos os anos pessoas inocentes morrem por execução realizada pelo estado. Não há nenhuma prova de que a punição extrema e desumana da pena de morte reduza ou combata a criminalidade. Outro fato importante é que a pena de morte é discriminatória, sendo aplicada desproporcionalmente contra pobres, minorias, alguns grupos étnicos e raciais, grupos religiosos e etc.

9- Forçar através de políticas, pessoas a seguirem sua religião e princípios morais. 

Uma das coisas mais marcantes no evangelho de Cristo e seu ministério, foi sobre sua mansidão. Cristo respeitava a liberdade dos outros, pois uma das consequências do amor é a liberdade, se há coerção não há amor, não há liberdade.

Se alguém ama outrem, aquele irá permitir que as pessoas andem com suas próprias pernas, façam suas decisões e pratiquem seu livre-arbítrio . Cristo era o “Príncipe da Paz” mas estava longe de ser um rei com governo físico e o mais importante é notar que Cristo não era um ditador. Impor sua religião pessoal, crenças ou princípios morais/religiosos sobre outras pessoas, não tem nada a ver com a maneira que Cristo praticou sua fé e seus ensinamentos. Se você impõe sua fé sobre outros, apoia a oração obrigatória do Pai Nosso em escolas e ambientes públicos, se você apoia a imposição de regras morais sobre a vida de pessoas através do estado, você não é um Cristão.

10- Jair Bolsonaro.

Ver 1-9.

 

 

Criacionismo ou evolução? – Fé, razão ou evangelho?

Big-Bang

Por que ponderar sobre os avanços científicos e a fé?

Um dos temas que mais causam dúvidas entre as pessoas que procuram uma religião, que estão conhecendo o cristianismo ou atravessam uma crise de fé ao ver um aparente confronto entre fé e religião, é a origem do universo e de nós mesmos. Para estes motivos existem hoje, tentativas de teólogos, pastores, padres e sacerdotes em geral, de tentarem harmonizar fé e religião para evitar o descrédito da parte do público geral. Entretanto, será que  os avanços e descobertas científicas realmente justificam o descrédito no evangelho? ou então, será que o questionamento, reformulação, afirmação ou reafirmação de conceitos, dogmas e doutrinas são fatores que “enfraquecem” ou devem enfraquecer a fé?

Gênesis, o relato bíblico da criação.

O livro bíblico nas escrituras, que relata a história bíblica da criação, é o Livro de Gênesis ,que no hebraico é Bereshit (No princípio). No livro de Gênesis, podemos encontrar dois relatos da criação. O primeiro relato está no capítulo 1:1-31 2:1-3 e o segundo relato está no capítulo 2:4-25, ambos os relatos são independentes entre si e retratam focos e contextos diferentes sendo possivelmente escritos em épocas diferentes.

No primeiro relato Deus cria os céus e Terra e “A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o Espírito de Deus se movia por cima da água” (Gênesis 1:2 – NTLH). Nosso planeta é criado em total caos e escuridão, existia águas onde toda a biosfera encontrava-se imergida. A partir deste cenário caótico e indefinido, a narrativa genesiana revela como Deus cria e organiza a terra. É interessante notar que nesta narrativa, a criação do universo se confunde com a própria  criação da Terra, a luz surge anteriormente à fonte primária da origem da luz terrestre e a narrativa não aborda outras fontes de luz presente no universo que não sejam o sol, pois o texto fala especificamente de dois luzeiros, aparentemente colocando o Sol e a Lua em mesmo patamar de “fontes de luz”. A partir daí, ocorre a criação dos seres vivos finalizando no sexto dia com a criação da humanidade. Outro ponto interessante a ser notado é que nesta primeira narrativa, não há alusão a um casal sendo criado no inicio de tudo, mas sim da humanidade sendo criada no sexto dia e a seguinte ordem ” Sejam fecundos , multipliquem-se, encham a terra e a submetam …” (Gn 1:28a- Edição Pastoral) é dada no plural para toda a humanidade.

No segundo relato, a bíblia diz que no dia em que a Terra foi criada, não havia nenhum arbusto ou erva sobre ela, pois ainda não havia chovido (cf. Gn 2:4-5). Javé modela o homem com o pó da terra, soprando em suas narinas o fôlego da vida, tornado o homem finalmente um ser vivente. Javé também planta na terra um jardim chamado Éden, colocando Adão (o primeiro homem) neste local. Em ambos os relatos pode-se perceber a responsabilidade do homem ante a criação em ser guardião, cultiva-la e preserva-la com responsabilidade. Pouco depois, Deus submete Adão a um sono profundo, quando é criada Eva, a mulher de Adão, a partir de uma de suas costelas.

Origem e composição dos relatos bíblicos de Gênesis.

É importante levar em consideração que Gênesis não pretende ser apenas um relato da criação do universo, da terra e da humanidade. Gênesis e o pentateuco na realidade são uma reconstrução da história do povo de Israel, portanto qualquer análise deve ser feita levando em consideração que o foco e objetivo do(s) autor(es) não era descrever a origem do universo e sim descrever a história de uma nação, partindo da primeira fonte e princípio: Deus.

O que vejo nestes dois relatos é que a “verdade” não está nos detalhes, mas na função que estas narrativas exerciam na vida dos povos que as narram. Estudos sobre as origens do mundo em outras culturas e contextos religiosos nos mostram que a narrativa de Gênesis foi provavelmente uma releitura da mitologia assírio-babilônica, provavelmente feitas pelas redações exílicas e pós-exílicas do Livro de Gênesis.

Em um destes mitos, podemos citar a Epopeia de Atrahasis que é um poema mitológico sumério que narra a criação e o dilúvio universal, sendo um dos mitos de criação mais antigos do Oriente Médio. Neste relato, os deuses decidem criar o homem. Então Enki (divindade das águas) aconselha que um deus fosse sacrificado e com seus sangue os demais deuses fossem purificados. Mami, a deusa-mãe, misturaria a carne e o sangue do deus sacrificado com argila, tendo assim deus e homem formado uma só carne e um só espírito, realizando então a criação do gênero humano.

Em outro mito sumério, o dilúvio é encontrado no Épico de Ziusudra onde há o aviso divino da destruição de toda a humanidade.Com este aviso, Ziusudra constrói uma embarcação para navegar sobre as águas. Além deste, há também um dilúvio causado por chuvas na Epopeia de Atrahasis, já citado anteriormente. Mas as coincidências mais impressionantes são  sobre a criação e teologia mosaica e o mito cananeu de Ugarit.

O Deus supremo da mitologia cananeia se chamava El, casado com a deusa Aserá, era o pai de toda a humanidade e de todas as criaturas que viviam sobre a terra. O Nome de El foi encontrado no topo de lista de deuses antigos na Biblioteca real de Ebla, no sítio arqueológico de Tell Mardikh na Síria datado de 2300 aC, sendo este mais um indício de sua soberania sobre outros deuses e deusas. O El cananeu é um ancião muito sábio, vivendo no alto de uma montanha ou monte. Um dos nomes ao Deus bíblico no pentateuco curiosamente é El, possuindo diversas com semelhanças com o deus El de Ugarit. A bíblia também chama Iahweh de El-Shaday ( Deus da montanha/das planícies/do monte) podendo ser uma referência ao Monte Sinai. A interpretação moderna para El-Shaday é “Deus Todo-Poderoso”.

Considerando estes e outros fatos, podemos propor que o Livro de Gênesis foi escrito e remontado gradativamente, por diversos autores sob a tradição oral e escrita das tribos, clãs e famílias independentes e autônomas. Após séculos, essas tradições orais e escritas foram agrupadas  e integradas como a história de um só povo, sendo que alguns teólogos fixam a conclusão destas releituras, edições e ampliações somente após o exílio, quando Judá é reconstituída. Algumas evidências deste longo processo, são as duplicações e contradições que encontramos no Livro de Gênesis: As duas narrativas da criação; duas genealogia (com diferenças) de Sem ( 10:21-25 e 11:10-17); Duas narrativas do dilúvio combinadas com diferenças entre si em de 6:5 ao 9:17; duas narrativas da aliança entre Deus e Abraão (caps. 15 e 17); duas narrativas acerca da expulsão de Agar (caps. 16 e 21); duas histórias sobre a nomeação de Isaque; duas histórias acerca da nomeação de Jacó; e possivelmente duas histórias combinadas sobre José entre os capítulos 37 e 50. As duplicações não param em Gênesis, mas continuam também em todo pentateuco.

De um lado temos a hipótese do Livro de Gênesis, e também todo o Pentateuco, ter sido uma compilação de textos e histórias escrita por vários autores, em épocas diferentes e distantes, unindo tradição oral e escrita numa tentativa de remontar a história do povo de Israel finalizada numa época tardia (pós exílica). Em algum momento da história, as deusas e deuses cananeus, cada um com um atributo específico, foram fusionados na figura de El e com isso se revela a identidade de Iahweh o único Deus verdadeiro dos hebreus. Algo mais curioso é que ninguém sabe a origem do nome Iahweh (Jeová, Javé). Segundo as escrituras sagradas, Iahweh apenas revelou seu nome aos israelitas, quando Moisés foi escolhido para ser o profeta libertador de Israel da opressão egípcia. O nome Iahweh não tem origem em nenhuma divindade cananeia, exatamente como atestam as escrituras sagradas. De um ponto de vista espiritual, a diferenciação de Iahweh/El/Elohin para o El de Ugarit e outros deuses e deusas surge logo no início da história de Israel quando Javé se revela como um Deus justo que defende um povo oprimido, sendo escravizado por um outro povo ao passo que as outras divindades legitimavam os poderes monárquicos e realezas que cometiam estas injustiças. Provavelmente esta fusão de deuses e deusas, compilações, adições, reinterpretações foram feitas na época do Rei Josias, quando foi estabelecidas e compiladas as escrituras hebraicas, sendo este tempo chamado pelos historiadores de reforma deuteronômica.

A outra hipótese é que os textos foram escritos unicamente (ou em sua grande maioria) por Moisés por meio da tradição oral e/ou revelação direta da parte divina. Teólogos cristãos e judeus  que utilizam a análise literária moderna da Bíblia, rejeitam a autoria mosaica do pentateuco.

Implicações do criacionismo e as releituras modernas.

Se a partir das novas análises literárias do pentateuco, considerarmos o relato de Gênesis como alegorias da tradição oral/escrita, podemos reformular aspectos da criação do mundo na visão cristã tradicional. Não se trata de querer estabelecer o criacionismo como uma vertente teológica equivocada, mas sim, de fazer uma releitura dos relatos da criação reconsiderando as novas descobertas que a ciência nos trás.

Segundo o criacionismo, o relato de Gênesis é literal e descreve com precisão (mas talvez não com totalidade) a criação do universo e da Terra. No criacionismo, a Terra teria uma idade muito jovem, por volta de 7000 anos de idade. Para a ciência, essa idade para a terra é absurdamente equivocada. Segundo a ciência, nosso universo possui uma idade de aproximadamente  14,000 bilhões de anos e a Terra teria aproximadamente 4,54 bilhões de anos.  A datação científica da terra é baseada em testes radiométricos e são consistentes com as idades das amostras mais antigas de solos terrestres e lunares.

Em uma releitura cristã moderna podemos destacar alguns pontos :

  • Gênesis, o Pentateuco e todas as escrituras, não são e não pretendem serem livros científicos/históricos. As escrituras sagradas são testemunhos espirituais e livros religiosos, que procurar conduzir o homem a verdadeira,única, eterna e encarnada Palavra de Deus/Logos divino: Jesus Cristo, Nosso Senhor. (João 1:1-3)
  • O Pentateuco reconstrói a história do povo de Israel a partir de mitos e releituras de tradições mitológicas, mas com uma verdade implícita em sua composição final: Tudo provem de Deus(2º Aos Coríntios  5:18-19). Essas construções modificaram ao decorrer do tempo a compressão da identidade de Deus (El/Elohin), ao passo que quanto mais o tempo passava, a identidade de Deus se afastava do El tribal e ugarítico. As escrituras nos atestam de que apenas em Cristo tivemos a revelação completa da identidade e natureza do Pai Universal, o Deus altíssimo. Em Cristo, temos o auge da revelação da identidade de Deus, desprendido de toda influência arcaica, patriarcal ou outras composições culturais (João 1:18).
  • A natureza alegórica de Gênesis (e talvez do pentateuco em geral) não fere sua canonicidade. O estilo alegórico, pseudo-epígrafes e mitos eram comuns na literatura antiga. Cristo se utilizou das alegorias para ensinar grandes verdades do evangelho e é possível de que boa parte das escrituras seja composta de alegorias.
  • Num ponto de vista cristão e moderno das releituras das narrativas da criação, a teoria da evolução assim como outras teorias que possam surgir (e que não sustentem o criacionismo), não são em nada contradizentes com o evangelho. Se houve Big Bang, sua fonte primária e planejamento vieram de Deus.
  • O Evangelho relevado por Cristo, não se centraliza nos relatos da criação; nas leis cerimoniais; bem como não se centraliza nos costumes, cultura e antigo sistema religioso judaico pois Jesus rompe com todos estes. A mensagem do evangelho se centraliza e se resume na revelação de Deus , O Pai Universal revelado na encarnação da Palavra (João 14:8-9); na reconciliação universal da humanidade, e de todas as coisas com o Pai, através de Cristo ( 2° Aos Coríntios 5:18, Colossenses 1:20); na filiação divina da humanidade e na irmandade universal de todos os homens, implícitos nos dois mandamentos dados por Jesus: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo (S. Marcos 12:30-31).

Portanto, o estudo, a análise crítica, as reformulações ou reafirmações, os avanços científicos não devem nos enfraquecer na fé e na permanência do evangelho de Nosso Senhor. Porém a igreja não deve ser uma instituição engessada e conservadora, mas deve apoiar o estudo e os avanços científicos que procuram melhorar as condições da sociedade. A comunidade de cristãos deve estar sempre pronta e apta para o diálogo, para o debate, para o estudo e para aceitação de opiniões e correntes teológicas diferentes, visto que somos um grupo diverso de pessoas. Seja qual for sua posição teológica, se crê na evolução ou no criacionismo, saiba sempre que o evangelho é superior em importância espiritual e centralidade do que tais coisas.

Sola Caritas

 

 

 

Jesus, o Primeiro pró-feminista da história judaica. (Cristo e a Mulher Samaritana)

Uma definição de feminismo

Uma das maiores discussões nas religiões, e o cristianismo não foge disso, é o papel da mulher na sociedade, seus direitos e seu status. Nos tempos modernos o feminismo tem alcançado um espaço muito grande na sociedade, e sua influência tem alcançado as igrejas, grupos de jovens, grupos de discussões, convenções eclesiásticas e também tem feito muitos líderes repensarem sobre as questões acerca da mulher. Mas afinal, o que é feminismo? uma mulher que professa o cristianismo e segue os ensinamentos de Jesus, pode ser feminista? O feminismo entra em contradição com os ensinamentos de Jesus?

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O feminismo é um movimento social, filosófico e político que luta pela igualdade social das mulheres, bem como pela equidade de direitos, luta contra a opressão sofrida pelas mulheres na sociedade e a busca pelo empoderamento feminino. O feminismo modificou fortemente elementos da sociedade ocidental, que vão desde o direito à cultura. O feminismo lutou pelos direitos legais da mulher: direito ao contrato, direito a propriedade, direito a voto e etc; a luta do feminismo também pelo direito de autonomia feminina e integridade  de seu corpo, direitos reprodutivos (contracepção, cuidados pré-natais de qualidade e etc), pela proteção de mulheres e garotas contra a violência doméstica, assédio e abuso sexual, estupro, direitos trabalhistas (como licença-maternidade, salários iguais e etc), bem como a luta contra o fim de todas as discriminações. Mulheres, homens, negros, brancos, amarelos , vermelhos, pessoas portadoras de necessidades especiais, são todos grupos compostos por pessoas diferentes, com situações de vida diferentes, com condições biológicas diferentes. Entretanto, essas diferenças biológicas, ou em relação ao gênero, não justificam a desigualdade social, muito menos a diminuição e privação de direitos, e é justamente neste sentido que o feminismo atua: mulheres e homens podem (nem sempre) não serem iguais biologicamente, o gênero feminino e o gênero masculino são gêneros diferentes, mas todas as pessoas independente de suas condições biológicas, ou de seu gênero, devem receber igualdade social, igualdade de direitos e possuir sua dignidade preservada. Se você é mulher, possui direitos trabalhistas, tem a liberdade de casar ou não casar com alguém, pode votar e exercer sua vida política, bem como outros direitos, sinta-se feliz em saber que foram as feministas que lutaram para que tudo isso hoje em dia fosse possível e preservado.

Entendendo o feminismo sob a ótica do evangelho.

“Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)

Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.”

(Evangelho de São João 4:9-10)

Jesus em uma de suas viagens evangelísticas precisa voltar para a Galileia e no meio do caminho decide passar pela região da Samaria. Sua decisão , no contexto histórico, poderia ser considerada como insana,  já que os judeus e os samaritanos possuíam péssimas relações entre si, e tendo ele outras opções de caminho para voltar ao seu destino. O povo samaritano era muito hostilizado pelos judeus, sofriam um grave racismo por aqueles que eram proclamados como “filhos de Deus”.  A sociedade judaica era essencialmente machista e patriarcal. O preconceito era tão grande que os judeus homens (principalmente os fariseus) todos os dias ao acordar tinham o costume de agradecer a Deus por não serem mulheres e por não serem samaritanos.

Era meio dia, horário de almoço, um horário impróprio para se buscar água numa região desértica por fazer muito calor, as mulheres não tinham o costume de buscar água nesse horário. Provavelmente esta mulher estava lá por um motivo mais sério, é possível que essa mulher possuía algum problema com sua comunidade vivendo excluída de sua sociedade. Jesus chega ao poço e a vê e diz “Por favor, me dê um pouco de água.” (São João 4:7). Em nossos dias um homem pedir água num ambiente quente ou em condição de sede seria normal, mas naquela sociedade era tão anormal que assustou a mulher samaritana. No momento em que ele pede água ele quebra o primeiro preconceito : “A proibição de falar com uma mulher ou seja o machismo judaico”. O segundo grande dilema que Cristo quebra neste momento é o dele pedir água do mesmo copo que o dela, o que o tornaria amaldiçoado ou imundo(na cultura judaica da época), impossibilitando-o de prestar cultos a Deus por 40 dias . O terceiro grande dilema que Cristo quebra é o racismo ao conversar sobre espiritualidade e pedir água a uma samaritana.

Tendo em vista todo este contexto, entendemos a admiração da própria mulher samaritana em ver um homem judeu se comunicando com ela. Mas isso ainda não é a única coisa interessante que podemos notar neste acontecimento. Na cultura judaica se o homem “enjoasse” de sua mulher ou encontrasse nela algo que não o agradasse, ele poderia escrever uma carta de divórcio, mandando ela embora de casa, assim ela iria poder casar com outro homem (Deuteronômio 24:1-2). Mas alguns homens não divorciavam, alguns casavam com várias mulheres e não se preocupavam com o divórcio, na prática a mulher era rejeitada pelo marido porém segundo a  lei  ela não possuía o direito de casar com outro homem, porque mesmo rejeitada, ela ainda estava ligada a ele. As mulheres que sofriam esse tipo de “pena” eram chamadas de “REPUDIADAS”, sendo rebaixadas ao status de meras propriedades, escravas, que seriam utilizadas em caso de necessidade.

“Então a mulher pediu:
— Por favor, me dê dessa água [a água da vida]! Assim eu nunca mais terei sede e não precisarei mais vir aqui buscar água.
— Vá chamar o seu marido e volte aqui! — ordenou Jesus.
— Eu não tenho marido! — respondeu a mulher.
Então Jesus disse:
— Você está certa ao dizer que não tem marido, pois já teve cinco, e este que você tem agora não é, de fato, seu marido. Sim, você falou a verdade.
A mulher respondeu:
— Agora eu sei que o senhor é um profeta!”
(Evangelho de São João 4:15-19)

Fazendo uma exegese do texto, podemos perceber que a mulher teve 5 maridos e 4 destes deram-lhe carta de divórcio, o último dos cinco maridos a repudiou (não assinou carta de divórcio e se juntou a outra mulher). Segundo a lei (tanto samaritana como judaica) a mulher samaritana sendo uma repudiada não poderia casar novamente, mesmo assim a samaritana se une a um sexto homem (que judicialmente não é o seu marido). Mas olhando mais profundamente esta parte do texto, podemos perceber o quanto a mulher samaritana deveria ser uma pessoa extraordinária, uma mulher que atraiu cinco homens a serem seus maridos? A causa dos sucessivos divórcios muito provavelmente não foram causados por algum “desvio de moral” da samaritana, porque se a causa fosse esta, a mulher samaritana não casaria pela segunda vez, muito menos casaria por cinco vezes. Se lermos o texto bíblico completo vamos perceber que a mulher samaritana tem uma personalidade forte para aquela época, ela tem opinião formada, ela questiona teologicamente o homem judeu com que ela falava (Jesus). Uma mulher daquela época questionar teologicamente um homem, ou simplesmente ter uma opinião formada seria uma ofensa gravíssima para um homem. Esta mulher samaritana carrega em si uma história de casamentos consecutivos, causados pela atração que despertava nas pessoas, e ao mesmo tempo um fardo de rejeição profunda, por ser mulher, por ser repudiada, por ser samaritana, por estar em uma camada da sociedade que não deveria ser informada sobre política ou religião. Ela ousa discutir com um homem desconhecido assuntos que era considerados “de importância demais” para ser discutido com uma mulher.

 

Vejo na mulher Samaritana uma espécie de “pioneira da libertação feminina”.  Vejo também em muitas feministas sufragistas  do século passado (muitas delas cristãs) a figura da mulher samaritana, sem direitos, sem voz, mas que ousaramm a argumentar, ousam questionar quando o sistema patriarcal dá ordens para ficar calada, o que ainda não mudou muito nos dias de hoje.

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Frances Willard ( 1839-1898)- Cristã, feminista e sufragista. Líder da Woman’s Christian Temperance Union.

“Nisto chegaram os discípulos, e ficaram admirados por estar ele a conversar com uma mulher(…)” (Evangelho de São João 4:27)

Mais uma vez os discípulos demonstram com sua admiração ao fato do Senhor estar conversando com uma mulher, o patriarcalismo daquela sociedade onde o evangelho foi pregado por Cristo. Mas Jesus evidentemente não concorda com o sistema patriarcal e quebra todos estes dilemas em sua vida e em seus ensinamentos. Muitas mulheres seguiam a Cristo, talvez a mais singular delas seria a Apóstola Maria Madalena. Maria Madalena era uma das pessoas mais devotas de Cristo enquanto este ainda estava na terra, sendo  ela era umas dos setenta e dois apóstolos e apóstolas de Cristo, a primeira pessoa a quem Jesus apareceu depois de ressurreto segundo a Bíblia .[“Os doze” são os mais conhecidos doze apóstolos de Jesus, ” Os setenta” no cristianismo oriental ou “Os setenta e dois” que são mencionados no Evangelho de São Lucas, são os outros apóstolos e apóstolas que Cristo instituiu posteriormente. Dos Setenta e dois apóstolos e apóstolas, podemos destacar Maria Madalena; João Marcos, o escritor do “evangelho de S. Marcos”;  Lucas ” o médico” escrito do “Evangelho de São Lucas”; Timóteo o bispo de Éfeso; Tiago , O irmão sanguíneo de Jesus , escritor da “Carta de São Tiago” e bispo de Jerusalém; Barnabé e outras mulheres como Priscíla (uma das pessoas que possivelmente escreveu a ” Carta aos Hebreus”e grande missionária do evangelho em Roma) e Júnia (citada em Romanos 16:7)]

“Saudações a Andrônico e à irmã Júnia, meus patrícios judeus, que estiveram comigo na prisão. Eles são apóstolos bem conhecidos e se tornaram cristãos antes de mim” (Aos Romanos 16:7)

Embora entre “Os doze” não haviam mulheres, é incontestável que entre “Os setenta” existissem mulheres devotas de Jesus Cristo. Também é incontestável de que Jesus as respeitava, quebrando todo o conceito machista e arcaico da sociedade daquela sociedade, colocando num nível social e de respeito, dignidade e valor iguais aos homens. É assustador ver como a “RELIGIÃO DE JESUS” pregava a igualdade e condenava a opressão e como a “A RELIGIÃO SOBRE JESUS” dos dias de hoje, muitas vezes prega o machismo, a diminuição da mulher. Em muitas igrejas as mulheres são proibidas de pregar, de serem pastoras/bispas ou diaconisas. Mas a verdade é que o verdadeiro evangelho de Cristo é o amor de Deus sobre todas as pessoas , independente do seu gênero. Cristo agiu corajosamente contra o preconceito racial na conversa com a mulher samaritana e na parábola do Bom Samaritano, e também agiu contra o machismo no episódio da samaritana e da mulher adúltera (que em outra oportunidade pretendo abordar). O Espírito da verdade convoca a igreja a se posicionar profeticamente contra o machismo, contra a desigualdade, contra a violência e contra o preconceito. Nos convoca para agirmos profeticamente na sociedade contra o sistema que objetifica sexualmente as mulheres como meras propriedades ou consumo sexual. Nos convoca para agirmos contra qualquer tipo de racismo, intolerância, fundamentalismo ou violência. O evangelho nos chama a proclamar o Reino, O amor universal do Pai Universal,  a irmandade de todos os homens e a proclamação da mensagem de Cristo o Príncipe da Paz.

“Deste modo não existe diferença entre Judeus e gregos, entre escravos e livres, entre homens e mulheres: todos vocês são iguais em Cristo Jesus” (Aos Gálatas 3:28)

Concluindo, oro e milito para que a desigualdade social seja erradicada do mundo. Oro em interseção por todas as mulheres que sofrem machismo e violência doméstica. Oro e milito para que este mundo seja um dia um mundo de justiça e paz, como o Reino que Cristo pregava. Oro para que o machismo e o preconceito nas igrejas e instituições religiosas seja totalmente substituído pelo amor Ágape . Oro a Deus, Mãe de Sabedoria e Pai de amor, para que nos de sempre o combustível para agir profeticamente na sociedade contra os males deste mundo.Amém

Em Cristo.

 

 

 

Conheça o primeiro pastor transgênero ordenado pela Igreja Evangélica Luterana na America

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O pastor Asher O’callaghan é o primeiro homem transgênero a ser ordenado pela Evangelical Lutheran Church in America (ELCA), a denominação religiosa que é a maior igreja luterana dos Estados Unidos, tem mostrados cada vez mais inclusão de pessoas LGBTQ, demonstrando assim verdadeiro exemplo de amor cristão e aceitação.

Antes de 2009 parte do ramo protestante liberal da ELCA já havia ordenado pessoas trans para o ministério eclesiástico, porém fora do processo regular da denominação. Em 2009 a Igreja decidiu abrir as portas do ministério para pessoas abertamente gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans.

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Pastor Asher (a direita) ao lado de Megan Rohrer (também um pastor trans) , O primeiro pastor transgênero ordenado pela Evangelical Lutheran Church in America.

O’callaghan, pastor da Zion Lutheran Church in Idaho Springs, Colorado, diz estar muito emocionado em ser pastor e líder de uma igreja que ama.

” A igreja está mudando: não há nenhuma necessidade entre escolher viver a vida como você realmente é e pertencer a uma comunidade religiosa. Para as pessoas trans , isso significa que existem congregações que os aceitam , respeitam e celebram nossa fé e nossa identidade de gênero”.

A ELCA também ordena mulheres ao ministério , sendo que uma de suas igrejas, a Herchurch, é uma congregação feminista (onde a maioria dos membros são mulheres) onde veneram o sagrado feminino (Deus sendo visto também como uma energia feminina e não apenas como a tradicional visão patriarcal). A ELCA também realiza benção a uniões civis entre pessoas de mesmo gênero.

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